A morte de operadores de segurança e a insegurança que atinge a todos
junho 16, 2017
Cruzes fixadas em praia de Natal, em protesto às mortes
A morte de operadores de segurança pública está cada vez mais presente no
cotidiano da insegurança do Rio Grande do Norte, e se nossos guardiões estão
sendo vitimados, o que se pode esperar da situação da sociedade como um todo?
Quando falamos que a
violência retroalimenta mais violência, ouvidos incautos duvidam e apregoam a
banalização da morte como vingança contra aqueles que a disseminam, mas o caso
do SD Carlos Eduardo Alves é emblemático e serve para exemplificar essa
retroalimentação.
O PM Carlos Eduardo,
sentindo-se no dever de agir, porque, afinal, além de ser treinado para isso,
guardava consigo a responsabilidade de proteger outras pessoas que estivessem sobre
sua influência protetiva, mas infelizmente, tombou diante do poder de fogo dos
inimigos da paz. E o ciclo da violência continuou, pois, as guarnições da PM de
Areia Branca e de Mossoró, na busca de cumprir seu dever de ofício,
empreenderam investidas para prender os criminosos, e esses não querendo se
entregar, morreram em troca de tiros com os policiais.
A polícia e a sociedade se
encontram acuadas, diminuídos diante do poder dos criminosos. De um lado temos
os grupos criminosos que conquistam mais e mais seguidores, do outro temos um
Estado que vê suas forças de segurança definhando por meio de falecimentos,
aposentadorias, exonerações e pelas buscas de seus agentes por melhor qualidade
de vida em outras profissões, face à desvalorização com que são tratados com
salários atrasados, equipamento deficiente e assistência zero.
Embora a vitimização de
policiais esteja com 40% de aumento, podemos perceber que a letalidade em ações
típicas de estado não está crescendo na mesma proporção, pelo contrário, há uma
redução inversamente proporcional de 38,7%.
Os próximos concursos a
serem deflagrados para as instituições de segurança no RN sequer preencherão as
lacunas deixadas pelos motivos expostos anteriormente. Não se trata de
recuperação da capacidade policial, pois cerca de 140 novos policiais para a
Polícia Civil que precisa de quase 3 mil e 600 vagas para a Polícia Militar que
precisa de cerca de 7 mil, jamais refrigerarão a nossa parca segurança.
As deficiências em capital
humano também atingem ao ITEP e ao Sistema Penitenciário, e isso já foi
diagnosticado e discutido desde há mais de 4 anos, mas continua sendo
postergado e tratado com soluções meramente paliativas. As políticas sociais
que reduziriam a desigualdade social no estado, com educação plena, com
soluções sociais que perpassam pela agregação de forças com igrejas, ONGs,
secretarias de desporto, cultura, saúde e outras, também não são tratadas como
estratégias de segurança pública, e o Estado do RN, reativo e tardio em agir, impulsiona
seus profissionais de segurança e a sociedade potiguar para uma suscetibilidade
cada vez maior.
Chegamos a 1.121 vidas
perdidas por condutas violentas letais intencionais (CVLIs) em 2017 no Rio
Grande do Norte... 234 vidas perdidas a mais que no mesmo período em 2016, um
aumento acumulado de 26,4% e 31,91 vítimas por grupo de 100 mil habitantes...
esses números não precisam de nenhum argumento adicional.
E o Estado que continua
ausente em diversas instâncias, se mostra ineficaz para gerir e gerar a paz que
todos queremos.
Referência: HERMES,
Ivenio. A morte de operadores de segurança e a insegurança que atinge a
todos. 2017. Disponível em: . Acesso em:
16 jun. 2017.
Citação com autor
incluído no texto: Hermes (2017)
Citação com autor
não incluído no texto: (HERMES, 2017)


0 comentários