EM ARTIGO, PAULO COELHO RELATA TORTURA DURANTE DITADURA MILITAR E CRITICA BOLSONARO

março 31, 2019


Motivado pela declaração do presidente Jair Bolsonaro sobre comemorar o 31 de março, que marcou o golpe de 64, Paulo Coelho descreve, em artigo publicado pelo The Washington Post, a tortura a que foi submetido em 1974

Em artigo escrito para o The Washington Post e publicado nesta sexta, 29, o escritor brasileiro Paulo Coelho descreveu a tortura que sofreu durante a ditadura militar. Autor de O Alquimista, entre outras obras que se tornaram best-sellers internacionais, Paulo Coelho era, à época, compositor. Ele aproveitou o espaço para criticar o presidente Jair Bolsonaro, que sugeriu que os quartéis celebrassem a data de 31 de março, que marca 55 anos do início do regime militar no Brasil.

Paulo Coelho escreve que sua casa foi invadida no dia 28 de maio de 1974 e ele foi levado ao DOPS (Departamento de Ordem PolĂ­tica e Social), fichado e fotografado. Liberado pouco depois, pega um tĂĄxi, que Ă© fechado por outros dois carros, e ele Ă© tirado de lĂĄ por homens armados. Apanha no caminho, depois na sala de tortura. Quando permitem que ele tire o capuz, se dĂĄ conta de que estĂĄ numa sala a prova de som com marcas de tiro nas paredes. A tortura segue, ele conta.

“Depois de nĂŁo sei quanto tempo e quantas sessĂ”es (o tempo no inferno nĂŁo se conta em horas), batem na porta e pedem para que coloque o capuz. (...) Sou levado para uma sala pequena, toda pintada de negro, com um ar-condicionado fortĂ­ssimo. Apagam a luz. SĂł escuridĂŁo, frio, e uma sirene que toca sem parar. Começo a enlouquecer, a ter visĂ”es de cavalos. Bato na porta da 'geladeira' (descobri mais tarde que esse era o nome), mas ninguĂ©m abre. Desmaio. Acordo e desmaio vĂĄrias vezes, e em uma delas penso: melhor apanhar do que ficar aqui dentro."

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