Ministro do STJ negou soltura de presos por causa de covid ao menos 2 vezes

julho 09, 2020


Não visualizo ilegalidade, disse Noronha ao negar liberação de detentos no CearåImagem: Sérgio Amaral/STJ

O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro João Otåvio Noronha, que concedeu prisão domiciliar a Fabrício Queiroz considerando a pandemia do novo coronavírus, jå negou ao menos duas vezes que detentos fossem soltos por causa do risco da doença.

Queiroz, que Ă© ex-assessor de FlĂĄvio Bolsonaro (Republicanos-RJ), poderĂĄ ir para prisĂŁo domiciliar, assim como sua esposa MĂĄrcia Oliveira de Aguiar, que estĂĄ foragida hĂĄ trĂȘs semanas. O ex-assessor Ă© suspeito dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimĂŽnio e organização criminosa. Procurada, a assessoria do STJ nĂŁo prestou esclarecimentos.

Em comunicado Ă  imprensa, o tribunal disse que a decisĂŁo de Noronha foi tomada "levando em conta as condiçÔes pessoais de saĂșde de FabrĂ­cio Queiroz, que se enquadram naquelas que a Recomendação CNJ [Conselho Nacional de Justiça] 62/2020 sugere de nĂŁo recolhimento a presĂ­dio em face da situação extraordinĂĄria da pandemia".

A recomendação foi expedida em 17 de março. Depois dela, Noronha negou o benefício em pelo menos dois casos.

ChinĂȘs alegou ter problemas cardĂ­acos

Em 24 de abril, o presidente do STJ negou habeas corpus em favor de um empresĂĄrio chinĂȘs preso. A defesa dele alegava que o detento tinha mais de 60 anos e problemas cardĂ­acos. Ele pedia uma liminar para ser solto porque, entre outros motivos, havia "risco de contaminação pela covid-19", como anotou o ministro Noronha. Ironicamente, o chinĂȘs era acusado de desviar testes para detectar coronavĂ­rus.

Na decisĂŁo, o ministro disse que nĂŁo poderia analisar o caso porque o tribunal de origem, o TJ de SĂŁo Paulo, ainda nĂŁo havia feito um julgamento e nĂŁo havia "flagrante ilegalidade" na prisĂŁo.

Ministro negou soltura coletiva no CearĂĄ

Antes, em 20 de março, Noronha negou um habeas corpus coletivo feito pela Defensoria PĂșblica do CearĂĄ. Os defensores queriam todos os detentos do estado que se enquadrassem nos casos da recomendação do CNJ - mencionada hoje na prisĂŁo domiciliar de FabrĂ­cio Queiroz - pudessem ser beneficiados com um regime de prisĂŁo mais favorĂĄvel.

Mais uma vez, o presidente do STJ argumentou que o tribunal de origem, o TJ do CearĂĄ, nĂŁo havia analisado o caso e nĂŁo se tratava de "flagrante ilegalidade". "NĂŁo visualizo, em juĂ­zo sumĂĄrio, manifesta ilegalidade", disse Noronha na decisĂŁo.

Outro ministro beneficiou acusado de corrupção

Em 13 de abril, o ministro do STJ SebastiĂŁo Reis ordenou prisĂŁo domiciliar a um acusado em caso de corrupção na Operação PecĂșlio, porque ele tinha 57 anos e fazia parte do grupo de risco da doença: "Defiro o pedido liminar para assegurar ao paciente o direito de permanecer em prisĂŁo domiciliar, enquanto perdurarem as recomendaçÔes preventivas relativas Ă  covid-19".

O UOL pediu ao tribunal a Ă­ntegra da decisĂŁo do Noronha para colocar Queiroz e a esposa foragida da polĂ­cia em prisĂŁo domiciliar. NĂŁo houve resposta.

Queiroz, amigo do presidente Jair Bolsonaro desde os anos 80, Ă© investigado na Operação Anjo. Segundo o MinistĂ©rio PĂșblico do Rio de Janeiro, ele participava de esquema de desvio de dinheiro com "rachadinha" de salĂĄrios no gabinete do entĂŁo deputado FlĂĄvio Bolsonaro, na Assembleia Legislativa do Rio e Janeiro (Alerj).

Queiroz estava preso preventivamente. Ele foi encontrado pelos policiais e promotores em Atibaia, interior de SĂŁo Paulo, em um imĂłvel de Frederick Wassef, entĂŁo advogado de FlĂĄvio Bolsonaro.

Com conteĂșdo UOL

VocĂȘ pode gostar tambĂ©m

0 comentĂĄrios

Postagens Populares

Curti Facebook

Publicidades