Negros são 75% dos mortos pela polícia no Brasil, aponta relatório
julho 15, 2020![]() |
| "Meninos negros das periferias aprendem a ter medo da polícia desde pequenos", diz o documentoImagem: VANESSA ATALIBA/ ZIMEL PRESS/ ESTADÃO CONTEÚDO |
Fábio Grellet
15/07/2020 18h10
Um relatório produzido pela Rede de Observatórios da Segurança, grupo de estudos sobre violência nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Ceará e Pernambuco, reuniu dados que demonstram como a população negra é a principal vítima da violência no País. Os negros (pretos e pardos) são 75% dos mortos pela polícia.
Entre as vítimas de feminicídio, 61% são mulheres negras. Enquanto a taxa geral de homicídios no Brasil é de 28 pessoas a cada 100 mil habitantes, entre os homens negros de 19 a 24 anos esse número sobe para mais de 200.
Para os analistas, as operações policiais violentas em áreas onde predominam populações negras e as abordagens ao "elemento suspeito cor padrão" são difundidas e interpretadas por parte da sociedade como ações de combate ao crime e não como política pública altamente racializada.
Feminicídio
A violência contra a mulher foi outro tema abordado pelo relatório da Rede. "Ao todo foram computados 1.408 casos dessa natureza nos cinco Estados monitorados. Estes casos distribuem-se entre tentativas de feminicídio/agressões físicas, feminicídios, violência sexual/estupros, homicídios, agressões verbais, tortura, sequestros, balas perdidas, cárcere privado, ameaças/coação, tentativas de homicídio e outros. Juntos, feminicídios e tentativas de feminicídio correspondem a 68,8% deste total — 454 e 516, respectivamente", relata a Rede.
"As informações disponíveis sobre a motivação de todos os casos de violência contra mulher, nos cinco Estados, mostram 319 casos motivados por brigas, 123 por término de relacionamentos, 68 por ciúmes e 28 por crime de ódio - aquele praticado contra uma pessoa por ela pertencer à determinada etnia, cor, origem, orientação sexual e, neste caso, identidade de gênero. A maior parte dessas agressões é praticada por pessoas próximas: 466 casos por companheiros e ex-companheiros; 152 por namorados e ex-namorados; e 68 por outros familiares", segue o texto.
Com conteúdo Estadão

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