Corte do STJ vai ratificar afastamento de Witzel na quarta

agosto 28, 2020


A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, formada pelos 15 ministros mais antigos do STJ, vai ratificar em julgamento na quarta-feira, 2, o afastamento do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), determinado monocraticamente pelo ministro Benedito Gonçalves. Gonçalves consultou informalmente os demais magistrados, dada a sensibilidade da ordem de afastamento de um governador de estado, antes de assinar a determinação para que Witzel deixasse, pelo prazo de 180 dias, o Executivo estadual. A ratificação dĂĄ peso jurĂ­dico Ă  decisĂŁo do relator do caso e sinaliza que o ĂłrgĂŁo mĂĄximo da Corte dĂĄ guarida Ă  medida extrema diante de evidĂȘncias de que Witzel e polĂ­ticos aliados, segundo o MinistĂ©rio PĂșblico, utilizaram a pandemia do novo coronavĂ­rus como canal para o desvio de verbas pĂșblicas.

Ao longo desta semana, integrantes do MinistĂ©rio PĂșblico estadual do Rio, em BrasĂ­lia por conta da posse do novo presidente do STJ, Humberto Martins, e advogados que atuam na defesa dos polĂ­ticos implicados na delação do ex-secretĂĄrio estadual de SaĂșde, Edmar Santos, davam como certo o afastamento iminente. A convicção veio apĂłs um ministro do STJ negar acesso Ă s investigaçÔes do caso Witzel sob a alegação de que havia medidas cautelares a serem cumpridas. Uma delas acabou sendo o afastamento do governador e, concomitantemente, a apresentação de denĂșncia contra o polĂ­tico no STJ.

Um promotor ouvido por VEJA, apĂłs a sinalização do magistrado do tribunal, comentou: “A Assembleia Legislativa nem vai ter trabalho. O governador sairĂĄ antes”. Wilson Witzel responde a um processo de impeachment na Alerj. Ele conseguiu sobrevida com uma decisĂŁo do ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), durante o recesso do JudiciĂĄrio, que determinou a formação de uma nova comissĂŁo para analisar o pedido de impedimento do governador. Na Ășltima semana, o procurador-geral Augusto Aras opinou, em parecer enviado ao STF, por rejeitar o pedido de Witzel para interromper o processo de impeachment.

AlĂ©m dos desvios no Executivo do Rio, as investigaçÔes sobre corrupção em contratos pĂșblicos da SaĂșde que resultaram no afastamento de Wilson Witzel pelo STJ nesta sexta-feira mostram como o esquema pode ter beneficiado deputados da Assembleia Legislativa do estado. Segundo a PGR, alguns deputados estaduais podem ter se beneficiado de dinheiro pĂșblico desviado de sobras dos duodĂ©cimos do Poder Legislativo. Uma conta Ășnica do Tesouro estadual recebia os valores, que, na sequĂȘncia, eram depositados na conta especĂ­fica do Fundo Estadual de SaĂșde, de onde era repassado para os Fundos Municipais de SaĂșde de municĂ­pios indicados pelos deputados, que, por sua vez, recebiam de volta parte do dinheiro.


Com conteĂșdo Veja

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