Damares agiu para impedir que menina de 10 anos estuprada pelo tio realizasse aborto, diz jornal
setembro 21, 2020A ministra da Mulher, da FamĂlia e dos Direitos Humanos, Damares Alves, agiu nos bastidores para tentar impedir que a menina de 10 anos estuprada pelo tio, realizasse o aborto legal, ainda em agosto. As informaçÔes sĂŁo do jornal Folha de SĂŁo Paulo.
De acordo com a publicação, Damares coordenou uma operação que tinha como objetivo transferir a criança de SĂŁo Mateus, municĂpio onde essa vivia no EspĂrito Santo, atĂ© um hospital em JacareĂ, SĂŁo Paulo. Na instituição, a garota capixaba aguardaria a evolução da gravidez e realizaria o parto, mesmo diante dos riscos que esse implicaria Ă vida da vĂtima.
Sob ordens da ministra, aliados polĂticos se dirigiram ao EspĂrito Santo para tentarem retardar a realização do procedimento. Em uma sĂ©rie de reuniĂ”es, os representantes de Damares pressionaram os responsĂĄveis por conduzirem a operação mĂ©dica, chegando atĂ© a oferecer benefĂcios ao conselho tutelar local, caso o aborto nĂŁo acontecesse.
Segundo a Folha, Alves teria participado de ao menos uma dessas conferĂȘncias, por meio de videochamada. AlĂ©m disso, pessoas envolvidas no processo afirmam que os representantes ministeriais de Damares teriam sido os responsĂĄveis por vazar o nome da criança Ă ativista Sara Giromini – mais conhecida como Sara Winter – que divulgou dados pessoais da vĂtima nas redes sociais. A exposição fez da garota e sua famĂlia, alvos de ameaças.
Entenda o caso
O caso teve inĂcio no dia 8 de agosto, quando a criança deu entrada no Hospital Estadual Roberto Silvares em SĂŁo Mateus, no EspĂrito Santo, sentindo muitas dores. Os profissionais perceberam que a barriga da menina estava muito estufada, e ao receberem o resultado do exame de sangue, conseguiram confirmar que ela estava grĂĄvida de 20 semanas, quase cinco meses.
A garota, entĂŁo, revelou que era estuprada pelo tio, de 33 anos, desde os seus 6 anos de idade. Ela nunca pediu ajuda ou o denunciou por conta das ameaças feitas pelo homem. Uma semana depois, a Justiça do EspĂrito Santo deu aval para a realização do aborto, de acordo com a legislação brasileira, que permite a interrupção da gravidez caso a mulher corra risco de morte ou tenha sofrido abusos sexuais.

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