Vindo da pobreza, ele conseguiu ser o primeiro presidente negro do Brasil
setembro 08, 2020Filho do padeiro SebastiĂŁo de Sousa Peçanha e de Joaquina AnĂĄlia de SĂĄ Freire, Nilo Peçanha nasceu em 2 de outubro de 1867, em Campos, no Rio de Janeiro. Poucos poderiam imaginar que ele se tornaria um influente polĂtico e que atĂ© mesmo ocuparia o cargo de Presidente da RepĂșblica.
Nilo Peçanha teve uma infùncia humilde, vivida na periferia de sua cidade natal. Após completar seus estudos na capital do estado, deixou brevemente o Rio de Janeiro para formar-se, em 1887, na Faculdade de Direito de Recife.
Ao retornar ao Rio, exerceu as funçÔes de advogado e jornalista, militando pela abolição da escravatura e pela repĂșblica.
Com a mudança na forma de governo, da Monarquia para a RepĂșblica, foi eleito deputado da Assembleia Nacional Constituinte, pelo Partido Republicano, em 1890. Foi deputado estadual pelo Rio de Janeiro entre 1891 e 1903.
Casou-se com Ana de Castro BelisĂĄrio Soares de Sousa, conhecida como “Anita”, descendente de famĂlias aristocrĂĄticas. O casamento contrariou os familiares da moça, jĂĄ que Peçanha era visto por parte deles apenas como um homem pobre e “mulato”.
Em 1903, Peçanha elegeu-se presidente do estado do Rio de Janeiro (cargo equivalente ao de governador hoje em dia), tendo uma gestão bem avaliada.
Antes de concluir o mandato no Executivo fluminense, venceu as eleiçÔes para a Vice-presidĂȘncia da RepĂșblica na chapa de Afonso Pena, em 1906. Com a morte de Pena, em 1909, assumiu a presidĂȘncia do paĂs, cargo que ocupou durante 17 meses.
Seu governo, cujo lema era “Paz e amor”, ficou conhecido pela criação do primeiro sistema nacional de escolas tĂ©cnicas. Mas ficou tambĂ©m marcado pela crise na relação entre as oligarquias de SĂŁo Paulo e Minas Gerais.
Ao longo de sua vida pĂșblica, foi alvo frequente de ofensas racistas veiculadas pela imprensa local, que o descrevia como “mulato” e atacava sua honra por meio de charges e piadas racistas. A elite o conhecia como “o mulato do Morro do Coco”. Tamanho preconceito fez com que Nilo recorresse atĂ© ao uso de maquiagens para ocultar sua negritude em fotografias.
O preconceito da Ă©poca, que atĂ© hoje atinge o Brasil, fez o paĂs apagar da memĂłria e esquecer o primeiro presidente negro da HistĂłria do paĂs.
Com conteĂșdo ObservatĂłrio 3° Setor

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