Fila de espera por UTI Covid tem mais de 100 pacientes no RN

março 12, 2021

Leitos de UTI Covid-19 estĂŁo lotados no RN (Arquivo) — Foto: Divulgação/Sesap

O Rio Grande do Norte registrou 107 pacientes à espera de uma vaga em um leito de Unidade de Tratamento para Covid-19 no Rio Grande do Norte no início da tarde desta sexta-feira (12), dia em que o estado completa um ano desde o primeiro caso confirmado da doença. Com taxa de ocupação superior a 97%, o estado só tinha 9 leitos críticos disponíveis.

Do total de 107 pacientes, 106 estĂŁo na regiĂŁo metropolitana de Natal, de acordo com dados do sistema Regula RN. 17 hospitais da rede pĂșblica estĂŁo com todos os seus leitos ocupados. Outros quatro, tĂȘm ocupação superior a 90%. De um total de 327 leitos, 309 estavam ocupados e 9 bloqueados.

Em Parnamirim, o Hospital Municipal fechou as portas para entrada de novos pacientes, na manhã desta sexta-feira (12), por causa da superlotação. Uma Unidade de Pronto-Atendimento também estå hå mais de 24 horas sem receber novos pacientes.

O governo afirma que tenta abrir novos leitos, mas tambĂ©m enfrenta dificuldades para isso. Nesta quinta-feira (11), o estado chegou a 314 leitos crĂ­ticos operacionais na rede pĂșblica - o maior nĂșmero desde o inĂ­cio da pandemia. TambĂ©m na quinta, o estado chegou ao novo recorde de 962 pacientes internados com a doença, em leitos crĂ­ticos e clĂ­nicos e nas redes pĂșblica e privada, que tambĂ©m estĂĄ totalmente ocupada.

Entre as medidas que visam reduzir a pressão por leitos, o estado determinou toque de recolher das 20h às 6h todos os dias da semana, e integral, de 24 horas, nos domingos e feriados. Entretanto, algumas prefeituras, como Natal, flexibilizaram medidas e autorizaram, por exemplo, que restaurantes abram para atendimento presencial até às 21h, inclusive aos domingos.

AtĂ© esta quinta, o estado registrava uma letalidade de 2,77 pela doença em março - o nĂșmero mais alto desde agosto de 2020. O Ă­ndice compara o nĂșmero de mortes ao nĂșmero de casos confirmados. 178 Ăłbitos jĂĄ foram confirmados no estado somente nos 11 primeiros dias de março. Os dados ainda deverĂŁo passar por atualização.

Nesta sexta-feira (12), o diretor do LabotarĂłrio de Inovação em SaĂșde da UFRN e membro do comitĂȘ cientĂ­fico do estado, Ricardo Valentim, voltou a defender medidas de isolamento social para tentar reduzir a taxa de casos, internaçÔes e Ăłbitos.

“Hoje temos 17 hospitais com 100% de ocupação dos leitos crĂ­ticos. Neste cenĂĄrio, Ă© preocupante falarmos sobre flexibilizar medidas restritivas. NĂŁo Ă© nada confortĂĄvel a situação. Hoje o cenĂĄrio Ă© grave”, disse. “A partir do dia 8 de fevereiro, os dados apontam que hĂĄ um crescimento nos nĂșmeros de internação de nĂŁo idosos. Isso Ă© preocupante, porque cada vez mais os jovens estĂŁo sujeitos ao vĂ­rus”, complementou.

O pesquisador Leonardo Lima reforçou que os dados reforçam a urgĂȘncia da vacinação em massa da população. Ele reforçou ainda que nĂŁo hĂĄ medicamentos com eficĂĄcia comprovada para tratamento da covid-19. “No inĂ­cio da pandemia houve um trabalho no sentido do reposicionamento de certos medicamentos para tratar a covid-19. Um ano depois, hĂĄ diversos estudos atestam que estes medicamentos usados hĂĄ um ano nĂŁo tem eficĂĄcia contra o coronavĂ­rus. Isso Ă© um dado atestado e comprovado. O mundo inteiro estĂĄ investindo em vacina, porque a vacina Ă© a Ășnica forma para que tenhamos uma retomada segura das atividades”, afirmou ele.

Novas variantes e maior transmissibilidade

A infectologista MĂŽnica Bay destacou durante a coletiva o papel das novas variantes do coronavĂ­rus no aumento do nĂșmero de casos. De acordo com ela, “as novas cepas do vĂ­rus apresentam maior capacidade de transmissĂŁo”.

Ela destacou tambĂ©m que mesmo no caso de pessoas jĂĄ vacinadas, Ă© importante a manutenção das medidas de proteção individual. “A vacina começa a apresentar melhores resultados 14 dias apĂłs a aplicação da segunda dose. Assim, mesmo apĂłs vacinado, o indivĂ­duo deve manter os cuidados, evitando assim a proliferaçãodo vĂ­rus. Quanto mais o vĂ­rus circular entre a população, maior a possibilidade de surgirem novas mutaçÔes. Devemos continuar realizando o uso de mĂĄscaras, a higienização das mĂŁos, nĂŁo compartilhar objetos, fazer o distanciamento social e, em caso de suspeita de infecção, iniciar imediatamente o isolamento”, disse.


Com conteĂșdo G1RN

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