O recado americano

junho 15, 2021


O governo Biden decidiu congelar as negociaçÔes sobre apoio financeiro às açÔes de combate ao desmatamento da AmazÎnia até uma definição sobre o futuro do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, informaram fontes do Departamento de Estado. Os americanos temem serem usados pelo ministro para se manter no cargo enquanto é investigado pela Polícia Federal por ajudar a exportação de madeira extraída ilegalmente da AmazÎnia. A possibilidade de aporte de dinheiro americano é o principal incentivo ao Brasil para reduzir a devastação na AmazÎnia que quebra recordes sobre recordes desde a chegada de Jair Bolsonaro ao poder.

O inquĂ©rito que envolve Salles foi aberto a partir de informaçÔes da Embaixada sobre a fraude nos documentos de entrada de 74 toneladas de madeira de espĂ©cies nativas da AmazĂŽnia, como angelim, cedro, jatobĂĄ, maçaranduba com destino aos portos de Nova Orleans e Seattle. De acordo com as investigaçÔes da PF, as autorizaçÔes haviam sido forjadas pelo presidente do Ibama que em 2020 mudou uma portaria de 2011 apenas para liberar a carga. Salles teria concordado com a autorização. Ambos negam as denĂșncias.

No começo do ano, Salles foi investigado pela PF por ter publicamente interferido para a liberação de R$60 milhÔes em toras de madeiras aprendidas na região de Santarém, no Parå. O STF permitiu que a PF tivesse acesso às contas bancårias de Salles e do seu escritório de advocacia sob suspeita de corrupção.

Chamado de “senhor motosserra” entre os assessores do secretĂĄrio especial de Meio Ambiente dos EUA, John Kerry, Salles Ă© a ponta do iceberg dos problemas brasileiros em Washington. Em abril, na CĂșpula do Clima promovida pelo presidente Joe Biden, Bolsonaro fez promessas de aumentar a fiscalização contra açÔes ilegais na AmazĂŽnia e reduzir o desmatamento. Nas semanas seguintes ao evento, o presidente contingenciou verbas de fiscalização, interrompeu as açÔes do ExĂ©rcito contra madeireiros e manteve Salles no cargo apesar do inquĂ©rito da PolĂ­cia Federal. Em maio, foram desmatadas na AmazĂŽnia 40% a mais de ĂĄreas de florestas do que em 2020, que jĂĄ era considerado o pior ano da dĂ©cada.


Com conteĂșdo Veja

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